segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Povo do Sol

Bom, na tentativa de manter meu blog atualizado, estou postando um texto que, particularmente, achei comovente.
Foi feito por Mumia Abu-Jamal, negro, norte-americano, que na sua juventude integrou os "Panteras Negras". Hoje está preso, e há anos está no corredor da morte, porém, devido a falhas da promotoria na apresentação de provas, o caso permanece em aberto.
O texto fala dos zapatistas, grupo "rebelde" do sul do México (Chiapas) que luta pela reforma agrária e por melhores condições dos indígenas naquele país.


"Posso falar? Possso falar de nossos mortos? Depois de tudo, são eles quem fizeram possível. Alguém pode me dizer por que estamos e eles não estão? Isso é permitido? Eu tenho um irmão morto. Há alguem entre vocês que não tenha um irmão morto? Eu tenho um irmão morto! Foi morto por uma bala na cabeça, foi antes do amanhecer de primeiro de janeiro de 1994, muito antes do amanhecer a bala que dispararam, muito antes do amanhecer, a morte que beijou a frente do meu irmão. Meu irmão costumava rir muito mas agora ele não ri mais. Eu não pude manter meu irmão dentro do meu bolso mas pude guardar a bala que o matou, outro dia antes do amanhecer eu perguntei de onde tinha vindo a bala? E me disseram que do fuzil de um soldado do governo, de uma pessoa poderosa, que servia a outra pessoa poderosa, que servia a outra pessoa poderosa que servia a outra pessoa poderosa em todos os lugares do mundo, a bala que matou meu irmão não tinha nacionalidade. A luta que temos que travar pra manter nossos irmão juntos a nos ao invés de manter as balas que os matam tambem não tem nacionalidade. Por isso nos os Zapatistas temos muitos bolsos grandes nos uniformes,não para guardar balas,mas para guardar irmãos."


Mumia Abu Jamal

2 comentários:

[^LinA^] disse...

Nossa!
realmente valeu a pena!!

Ótima escolha!

Túlio disse...

OPA!!
Brigado pela visita.
Puxe uma cadeira e sinta-se em casa.